Nossa História

É conhecendo nosso passado que entendemos melhor nosso presente.

Aeroclube do Ceará - Histórico

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O Aeroclube do Ceará foi fundado com o nome de Aero Clube Cearense, no dia 07 de abril do ano de 1929, em nobre solenidade que contou com a presença do Governador do estado do Ceará. Logo depois de fundado, ficou por alguns anos sem nenhuma atividade, uma vez que naquela época, a aviação na América do Sul ainda vivia uma fase de quase nenhum progresso, especialmente no setor civil. No dia 02 de dezembro de 1937, praticamente fundava-se, pela segunda vez, em nossa Capital, uma sociedade que se destinava a incrementar, em nosso meio civil, a aviação de turismo a exemplo das grandes cidades do sul do país. Surgia o Aero Clube do Ceará.

Nesta segunda tentativa, muitos entusiastas, representados por personalidades da escola de aviação militar, que foram na realidade os verdadeiros incentivadores da fundação do Aero Clube do Ceará, lançaram-se num movimento de real valor em favor do progresso da nossa aviação. Em cooperação com os militares, na realização dessa patriótica obra, destacaram-se civis que não pouparam esforços no sentido de ver realizado o sonho da mocidade cearense, que almejava asas para voar. Os primeiros passos da vida do Aero Clube do Ceará foram cheios de empecilhos, que aos poucos foram vencidos, e com apenas seis anos de atividade, já tinha “brevetado” cerca de 100 pilotos. Sua primeira sede ficava dentro da Base Aérea de Fortaleza, onde à época, operava o Centro de Formação de Pilotos de Caça da também, recém criada Força Aérea Brasileira (FAB). A Base Aérea permitiu ao Aero Clube do Ceará durante um longo período, a utilização de sua pista.

Em fins de 1943, foi nomeado pelo já extinto Departamento de Aviação Civil (DAC), um interventor para dirigir os destinos da entidade. No ano de 1945, depois de toda a situação normalizada, o Aero Clube do Ceará deu início a um novo programa de atividades, começando um período que ficou conhecido como "marcha para o sertão", que consistia na inauguração de campos de pouso em cidades do interior, ao mesmo tempo em que procurava ambientar o sertanejo com os novos veículos do ar. Sendo o Aero Clube do Ceará pouco conhecido fora do estado, o então Presidente da instituição, resolveu promover “revoadas” para cidades de outros estados, mostrando a perícia dos pilotos cearenses. Houveram “revoadas” para São Luís – MA, Natal – RN, João Pessoa – PB, Recife – PE, Rio de Janeiro – RJ, São Paulo – SP, e inclusive, cidades do interior, como Parnaíba – PI, Mossoró – RN e Poços de Caldas – MG.

Já naquela época, o Aero Clube do Ceará contava com oito aviões, e o único abrigo, o Hangar Chico Távora, não tinha capacidade para tal número de aeronaves. Foi lançada então, a campanha para a construção do Hangar Santos Dumont, empreendimento de grande envergadura e de real necessidade para abrigar os aviões que não tinham proteção do sol e da chuva no hangar Chico Távora.

Com a evolução, o Aero Clube do Ceará começou a receber alunos vindos de todos os cantos do país, e logo passou a fornecer os mais importantes cursos de formação para as principais áreas de profissionalização aeronáutica, como Comissário de Vôo, Mecânica de Aeronaves, Paraquedismo, e claro, Piloto Privado e Piloto Comercial. Aos finais de semana, o Aero Clube do Ceará tornava-se também um ambiente familiar, onde os aeronautas e apaixonados por aviação traziam seus familiares para passar o dia em um ambiente de fraternidade e coleguismo.

Na década de 70, durante o regime militar, a área onde estava sediado o Aero Clube, foi regularizada em favor da União e permanece assim desde então, delegada sob o domínio da Base Aérea de Fortaleza (BAFZ). Em 05 de junho de 2000, a Força Aérea Brasileira necessitou restringir os vôos desportivos do Aero Clube, que ainda eram realizados no conhecido “Alto da Balança” dentro da área da Base Aérea de Fortaleza, para horários compreendidos entre as 8h e 9:30h, e entre as 13h e 16:30h. Essa restrição foi necessária pelo potencial risco de acidentes, em virtude da proximidade com a pista do Aeroporto Internacional de Fortaleza Pinto Martins (SBFZ), e também porque nessa época, as aeronaves do Aero Clube não possuíam rádio de comunicação, e dessa forma, não podiam ser coordenados pelo Serviço de Tráfego Aéreo do Aeroporto.

O então Presidente, na época, percebeu a necessidade de transferir a sede e todo o centro educacional e desportivo do Aero Clube. Inicialmente, o local escolhido foi uma propriedade de 135 hectares, localizada em Itaitinga, no Km 22 da BR-116. Mas logo a mudança proposta tornou-se inviável em razão da falta de infraestrutura básica para dar suporte aos alunos e aeronaves do Aero Clube. Até aquele momento, o Aero Clube do Ceará era o único centro formador de pilotos de helicóptero do Norte e Nordeste brasileiro. Segundo o Departamento de Aviação Civil (DAC), naquele momento, o Brasil era o segundo país no mundo em frota de aeronaves, empresas aéreas e aeroclubes, perdendo apenas para os Estados Unidos. Também segundo o próprio DAC, havia um patrimônio estimado em dez milhões de Reais, que seria totalmente perdido com a transferência do Aero Clube para o interior do estado.

Após um longo período de latência, o Aeroclube do Ceará ressurgiu em 2007 com o empenho da atual Presidência. Nesse mesmo ano, o Aeroclube de Teresina – PI foi extinto, e parte de seu patrimônio, incorporado ao Aeroclube do Ceará, que recebeu seu simulador e aeronaves. A nova sede do Aeroclube do Ceará, agora estava instalada nas amplas estruturas do Terminal de Aviação Geral (T.A.G.) do Aeroporto Internacional de Fortaleza Pinto Martins (SBFZ), e assim, é o único aeroclube no Brasil, sediado e baseado em um aeroporto internacional, com operações diurnas e noturnas. Conta ainda, com uma segunda base de operações diurnas no aeródromo do Feijó (SNFF), também situado dentro da cidade de Fortaleza – CE, onde dispõe de dois hangares para abrigo e manutenção das aeronaves.

Atualmente, o Aeroclube do Ceará é um dos maiores nas Regiões Norte e Nordeste, possuindo uma frota diversificada de aeronaves, entre elas: AeroBoero AB-115, Cessna 150, Cessna 172, AMT-200 e P-56C. Hoje, todas as aeronaves do Aeroclube, possuem todos os equipamentos exigidos pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para poderem operar em espaço aéreo controlado, tais como rádios, transponders, e etc., e isso possibilita ao aluno do Aeroclube do Ceará, desde o início da sua instrução, ambientar-se com os procedimentos rotineiros de um aeroporto internacional de grande porte. É uma das escolas de aviação civil mais procuradas na região, devido a gama de opções de cursos teóricos e práticos oferecidos: Piloto Privado Avião e Helicóptero, Piloto Comercial Avião e Helicóptero, Comissário de Vôo, Mecânico de Aeronaves, Instrutor de Vôo, Regras de Vôo por Instrumentos – IFR, Sobrevivência na Selva, etc.

O Aeroclube do Ceará é uma instituição sem fins lucrativos, e que tem como principal objetivo, manter sua histórica tradição de formar Pilotos e profissionais da aviação com excelência, honrando o orgulho de ser Nordestino.

Amaury Costa Araújo
Presidente do Aeroclube do Ceará